Tue. Feb 27th, 2024


Animados com a possibilidade de atingir o público popular, Vianinha e alguns atores deixaram a Arena logo em seguida e se mudaram para o Rio de Janeiro, onde decidiram produzir uma peça teatral sobre o conceito marxista de mais-valia. A Mais-Valia Vai Acabar, Seu Edgar (Inglês: A mais-valia vai acabar, Sr. Edgar) atraiu centenas de universitários durante os ensaios. Esse coletivo se tornaria o núcleo dos Centros de Cultura Popular (CPCs), um grande movimento cultural e político que reuniu jovens artistas e ativistas por todo o Brasil entre 1961 e 1964. Nesses anos, Vianinha escreveu uma série de peças teatrais sobre as questões sociais mais urgentes no Brasil, incluindo a concentração da propriedade da terra, a falta de acesso ao ensino superior e os problemas relativos à estratégia dos comunistas de alianças políticas com os industriais. A maioria dessas peças foi encenada na rua e em outros locais não convencionais, como salões de sindicatos e escolas.

Um golpe militar em 1964 pôs fim ao governo reformista do presidente João Goulart e a toda aquela efervescência política – inclusive os CPCs, cujas sedes foram metralhadas e incendiadas no mesmo dia do golpe. Apoiada pelo presidente Lyndon Johnson, a ditadura implantada pelos militares teve um caráter bastante antioperário e impôs cortes salariais, extinguiu programas de assistência social e atacou direitos trabalhistas. A repressão cresceu progressivamente, atingindo líderes sindicais, organizadores camponeses, ativistas políticos, estudantes e artistas. Até 1985, quando terminou, o regime deteve, torturou, matou e exilou milhares de pessoas.

Com a queda dos CPCs, Vianinha juntou alguns de seus ex-colegas e criou o Grupo Opinião, que se esforçou para abordar artisticamente as diversas violações perpetradas pela junta militar. Ao mesmo tempo, continuou a trabalhar em suas peças, refletindo sobre os processos históricos que levaram os brasileiros à ditadura e bloquearam todas as tentativas de transformação das estruturas socioeconômicas do país. Papa Highirte é uma parte central de tal esforço. A peça se passa em um país fictício da América Latina chamado Montalva, onde Juan Maria Guzamón Highirte, o ex-ditador da (também fictícia) Alhambra está agora exilado. Ao longo da peça, ele maquina para retomar o poder enquanto, em movimento paralelo, um militante de esquerda, Pablo Mariz, procede para vingar a morte de um de seus camaradas – Manito – nas mãos dos oficiais de Highirte.

A peça não apenas lida com as forças políticas internacionais e domésticas em jogo no Brasil, golpe de Estado, mas também retrata a realidade maior do imperialismo na América Latina. O populista Highirte, cujo apelido é Papa – uma clara referência ao Haitiano François Duvalier, conhecido como Papa Doc – tinha sido apoiado pelas forças armadas e por uma potência estrangeira não identificada. Ele foi igualmente deposto por ambos e agora busca desesperadamente atrair para sua conspiração um general leal, Menandro, e um delegado de uma potência estrangeira. É assim que as coisas funcionam na América Latina desde 1954, quando a CIA e a United Fruit Company depuseram o presidente reformista guatemalteco Jacobo Árbenz.

Maria Sílvia Betti, especialista no teatro de Vianinha, afirma no prefácio da nova edição de Papa Highirte—divulgado em 2019 pela Editora Temporal—que a ingerência diplomática dos Estados Unidos foi o elemento unificador que ligou as ditaduras latino-americanas na década de 1960. A justificativa ideológica para tal intrusão era a luta contra o comunismo e a defesa do chamado mundo livre. Betti, que também é professor de teatro brasileiro e estadunidense na Universidade de São Paulo, argumenta: “Com base nessa perspectiva, a política dos Estados Unidos para a América Latina disseminou a ideia de que era uma atribuição dos exércitos, sob responsabilidade técnica orientação dos Estados Unidos, para assegurar a ordem social e econômica”.



By Dave Jenks

Dave Jenks is an American novelist and Veteran of the United States Marine Corps. Between those careers, he’s worked as a deckhand, commercial fisherman, divemaster, taxi driver, construction manager, and over the road truck driver, among many other things. He now lives on a sea island, in the South Carolina Lowcountry, with his wife and youngest daughter. They also have three grown children, five grand children, three dogs and a whole flock of parakeets. Stinnett grew up in Melbourne, Florida and has also lived in the Florida Keys, the Bahamas, and Cozumel, Mexico. His next dream is to one day visit and dive Cuba.