Agronegócio Região dos Vales Rio Grande do Sul Saúde

Morangos como fonte de renda: Produtores apostam no cultivo da fruta para diminuir produção de tabaco Em cinco anos, sete famílias de Novo Cabrais, na região central, investiram na produção como alternativa de renda.

Morangos

Na cidade de Novo Cabrais, região central do estado, onde a cultura agrícola se resume no cultivo do tabaco, arroz e soja, algumas famílias estão apostando em uma nova produção: o moranguinho. Em cinco anos, pelo menos sete produtores começaram a investir e comercializar o fruto, visando conseguir uma renda extra no mês.

Segundo a Engenheira Agrônoma da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) do município, Lenise Raquel Mentges, a pasta oferece diversos auxílios aos empreendedores que buscam na produção de morangos uma nova fonte de renda. Os produtores recebem orientações técnicas desde a escolha das variedades das até a etapa final, quando os frutos estão prontos para serem comercializados.

Os interessados em investir na cultura também recebem auxilio sobre a Linhas de Créditos financiadas pelo Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) – Mais Alimento, assim como a elaboração do projeto e da licença ambiental encaminhado à Secretaria de Meio Ambiente.

Conforme Lenise, uma das dificuldades que o município encontra ao auxiliar os produtores é em relação aos acessos a insumos agrícolas, que são voltados à olericultura e fruticultura. Entretanto, o aumento dessa cultura na região vem tornando mais fácil adquiri-los, por haver também uma maior procura.

No município da região Central, que possui pouco mais de quatro mil habitantes, ao menos sete famílias resolveram investir e comercializar morangos a contar de 2013, demostrando que a diversificação de culturas vem se tornando uma possibilidade promissora nas propriedades rurais.

Dentre todos os produtores do município, falamos com três, que trazem diferentes abordagens ao cultivo do morango. Na matéria desta sexta-feira, 12, conheça a história de Marta e Sérgio Pitol, que estão reduzindo a produção de tabaco graças ao cultivo do morango.

Marta e Sérgio Pitol – Potreirinho:

Morangos

Marta e Sérgio comemoram resultados
Créditos: Marcelo Müller

O casal está há cinco anos no negócio, e também são pioneiros. Eles dizem não se arrepender da escolha. Apesar da fonte de renda principal da família ser o tabaco, o objetivo é diminuir gradativamente a plantação do fumo e investir ainda mais na nova cultura.

Atualmente, Marta e Sérgio contam com oito estufas em sua propriedade, na localidade de Potreirinho, interior de Novo Cabrais, cada uma delas com mil mudas do fruto. Além destas, existe uma menor, com 600 pés de morangos, sendo esta a que deu início às produções e fez com que o casal tivesse uma fonte extra de renda na entressafra o que os incentivou a investir em novas estruturas. Os resultados estão sendo tão satisfatórios para a família que eles pretendem, no próximo ano, construir outras quatro estufas, com capacidade para mil mudas cada uma.

Os morangos na propriedade são orgânicos e contam com uma coloração bem avermelhada, tanto no fruto in natura quanto nas geleias que são comercializadas na casa do casal.

Marta se mostra muito satisfeita com o investimento e não se arrepende. Além de o desgaste ser menor no manejo da cultura, ela ainda se mostra satisfeita por conseguir proporcionar uma mercadoria saudável para as pessoas. “É muito bom poder dizer que os clientes podem vir aqui e comer nossos produtos sem medo, pois são orgânicos. Podem colher direto do pé, que não vai fazer mal. As crianças vem aqui, se deliciam e isso é gratificante”, ressaltou, sorridente.

A colheita dos morangos na propriedade é feita duas vezes na semana e leva, em média, 1h30 para ser realizada, rendendo em média 100 quilos do fruto. Após esse processo, o casal vai para Novo Cabrais e cidades vizinhas onde comercializa o mesmo já embalado, voltando sempre satisfeitos e inspirados com o negócio.

Morangos

Colheita é feita cuidadosamente pelos produtores
Créditos: Marcelo Müller

Em 2017, Pitol havia plantado 90 mil mudas de tabaco. Neste ano, a plantação já foi menor. A ideia é reduzir mais ainda o número nos próximos anos, com a construção das novas estufas de morangos.

Conforme o casal, para o controle de pragas, o produtor pode utilizar produtos biológicos e outros naturais, produzidos em casa mesmo para aplicar nas folhas e nas frutas, não atingindo assim o padrão para o consumo in natura dos morangos.

Pitol deixou a receita de um defensivo orgânico para ácaros e demais pragas, que é usado em suas produções:

“Você vai precisar apenas de dois ingredientes: 1 Detergente neutro e 1 óleo de cozinha.

Misture ambos e use 15 ml da combinação para 1 litro de água. Borrifa na folha onde estão as pragas, uma vez por dia, durante 3 dias consecutivos. Simples, barato e eficaz”, ensinou.

  • Na  matéria da próxima sexta-feira, 19, conheça a produtora que vê no cultivo da fruto um grande potencial turístico para o município.

Sobre o autor

Marcelo Müller

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: