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Homicídio: Diretor do Hospital Candelária revela que não tinha conhecimento sobre ponto escolhido pela Susepe para atualização de tornozeleira Vídeo mostra momento em que o crime foi cometido. Superintendência não quis se manifestar sobre o ocorrido.

Homicídio hospital

O homicídio que chocou a comunidade de Candelária e região na manhã de terça-feira, 08, no acesso ao Hospital Candelária, levanta agora um outro questionamento. De quem partiu a autorização para que a atualização da tornozeleira eletrônica de Antônio Gomes Rios, 48 anos, fosse efetuada junto a um local com circulação de tantas pessoas, considerando que a vítima já havia passado por outras duas tentativas de homicídio em 2018?

Em vídeo com imagens das câmeras de segurança, divulgado pela Polícia Civil, é possível ver o exato momento em que Rios é atingido, corre do seu executor, que busca junto a motocicleta e seu comparsa uma outra arma e retorna para finalizar o crime.

Nas cenas, mais do que a execução, é possível perceber a movimentação de pessoas junto a porta do hospital, inclusive pessoas com dificuldade de locomoção, um idoso e uma criança que correm desesperados ao perceber a ação dos criminosos.

De acordo com o delegado de polícia de Candelária, não é de competência da Polícia Civil determinar os pontos de atualizações das tornozeleiras dos apenados, mas sim da Coordenadoria da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe).

Em contato com o órgão, nossa reportagem foi informada que a Susepe não mais se pronunciaria sobre o caso, entretanto, no jornal Gazeta do Sul edição desta quarta-feira, o delegado penitenciário regional, Andreo Camargo, justificou que a mudança do local da atualização da tornozeleira do apenado se deu após a primeira tentativa de homicídio contra o mesmo em frente ao Presídio Estadual de Candelária. Na época, Rios conseguiu fugir, mas duas pessoas morreram no local, e uma tempo depois.

Na mesma edição do jornal, a juíza Luciane Inês Morsch Glesse, da Vara de Execuções Criminais (VEC) regional, disse não ter sido comunicada do ponto estipulado para o serviço e que jamais autorizaria a medida pelo risco que oferecia a comunidade. No entanto, o delegado da Susepe afirma que a mudança não necessitaria da autorização da VEC.

O que disse o diretor do Hospital – Conforme o diretor do Hospital Candelária, Aristides Feistler, em nenhum momento a Casa de Saúde foi informada que este tipo de ação era executada junto às dependências do hospital. “Isso é um absurdo. Ninguém tinha conhecimento sobre esse assunto. Por que não fazem esse serviço na Brigada Militar ou na Delegacia de Policia?”, questionou o diretor.

Ainda segundo ele, os funcionários do hospital ficaram em choque, alguns deles necessitando receber medicação. “Foram seis tiros do lado de fora e mais seis que atingiram a porta em direção ao interior do hospital. Deus colocou a mão. Outras pessoas poderiam ter sido atingidas, inclusive pacientes que passavam por atendimento, já que alguns projéteis passaram as paredes de gesso”, desabafa.

Diante dos riscos, a juíza da VEC encaminhou um pedido ainda na terça-feira para a delegacia penitenciária, solicitando que toda atualização do tipo, ocorra em frente ao presídio.

Com a suspeita de que o crime possa se tratar de uma retaliação em função de outro crime envolvendo a vítima, agora a Polícia Civil segue com as investigações.

 

Assista ao vídeo:


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Mariéle Gomes Gross

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