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Ex-militar acusado de práticas abusivas em curso “pré-militar” têm atividades suspensas Justiça atende pedido do Ministério Público e suspende atividades de ex-militar que aplicava treinamentos em crianças e adolescentes.

Ex-militar é acusado de atividades abusivas em curso "pré-militar" em Canoas. (Foto: Divulgação Facebook Comandos)

Após a denúncia de dois adolescentes, de 13 e 16 anos, junto a Polícia Civil de Canoas, de que estavam passando por situações abusivas em um curso preparatório para carreira militar, um inquérito foi aberto para investigar como eram conduzidas as atividades do  “Comandos”, como é determinado o local.

A polícia cumpriu mandado de busca e apreensão no local, onde encontrou diversos equipamentos usados para as práticas relatadas pelos jovens. Segundo denúncia, os treinamentos de caráter pré-militar se traduzem em “verdadeiras práticas de tortura, de lesões corporais, de maus tratos, de exposição a perigo da vida e da saúde, de constrangimento, de humilhação, de coação, de vexames e de intimidações”, que atentam diretamente à dignidade dos adolescentes e das crianças que neles se envolvem.

MAUS TRATOS, TORTURA E INTIMIDAÇÕES

Segundo informações do Ministério Público do Rio Grande do Sul, o investigado, que seria instrutor e supervisor do curso, ao alegar que estava preparando os adolescentes para a “guerra”, os obrigavam a desenvolver atividades que denominava de “pré-militares”.

Simulando situações de guerra, o instrutor submetia os jovens à prática de atividades de horror, com torturas físicas e psicológicas, tais como:

– Corridas durante a madrugada, em noites de frio extremo (inferior a 5 graus Celsius), sem camisa (somente de roupas íntimas);

– Atividades em ambiente aquático no período da noite, em situação de frio extremo, sem qualquer iluminação (apenas com o uso de lanterna), para fins de localização de objetos pequenos em piscina fechada;

– Exercícios de pista, com circuitos intercalados de corrida, de natação e de escalada, com trechos de natação em local aberto e perigoso, sem a supervisão direta e próxima de um responsável;

– Exercícios de sobrevivência de guerra, com a prática de atos repugnantes, consistentes em alimentarem-se da carne e em beberem o sangue diretamente do pescoço de aves recém abatidas;

– Treinamentos de guerra, com procedimentos de suspensão em “pau-de-arara”;

Atividades essas, que segundo o curso, era para incentivar os adolescentes a aprenderem a suportar a dor e a desenvolverem resistência a eventuais “atos do inimigo”.

Além disso, seriam aplicados castigos físicos e atos de humilhação contra os adolescentes e pré-adolescentes que pretendessem abandonar o referido grupo de caráter pré-militar. Castigos físicos também seriam impingidos aos infantes, como forma de realizarem as tarefas que lhes seriam impostas ou, ainda, contra aqueles que fracassassem nas tentativas para sua execução. Os próprios jovens seriam obrigados a aplicar choques em seus colegas. O instrutor não apenas exerceria tais castigos, mas se dedicaria a ensinar os jovens a aplicá-los contra os colegas.

As práticas foram denunciadas por dois alunos à Polícia Civil de Canoas, que instaurou inquérito e cumpriu mandado de busca e apreensão, onde encontrou diversos equipamentos usados para as práticas relatadas acima.

Ex-militar é acusado de atividades abusivas em curso "pré-militar" em Canoas. (Foto: G1)

Ex-militar é acusado de atividades abusivas em curso “pré-militar” em Canoas. (Foto: G1)

DECISÃO DA JUSTIÇA

A Justiça atendeu, na tarde desta terça-feira, 02, o pedido do Ministério Público em ação civil pública requerendo liminarmente a suspensão imediata das atividades do curso denominado de “Comandos”.

Na ação, o promotor de Justiça de Canoas João Paulo Fontoura de Medeiros pede, também, que seja determinada a indisponibilidade dos bens do demandado, no intuito de que, em caso de condenação, haja patrimônio suficiente para fins de indenização a cada uma das vítimas e a título de dano moral coletivo.

O promotor também requer que o “Facebook” seja oficiado para que armazene seu conteúdo em mídia eletrônica e após, cancele os links do réu e de sua empresa, remetendo á comprovação do cancelamento, entre outros pedidos. Todos os demais pedidos também foram atendidos, segundo informa o MP.

Fonte: MPRS

Foto Capa: Divulgação Facebook

Sobre o autor

Marcella Trindade

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